Artigo 09
Tudo precisa de tempo
25 de agosto de 2026
Experiência
Não gosto de generalizar, mas a maioria de nós com certeza tem a lembrança de momentos de grande alegria e satisfação vividos recentemente ou num passado não tão distante. Pode ter sido uma viagem para um lugar muito desejado, conhecer a praia ou revê-la depois de muito tempo, reencontrar uma pessoa querida ou viver alguma experiência aguardada por um longo período. À medida que o tempo passava, a expectativa aumentava, tornando aquele momento ainda mais especial.
Os períodos de espera até a realização podem ser curtos ou longos. Podem ser dias, semanas ou meses, mas também podem ser necessários anos. Há coisas que precisam de tempo para acontecer — e esse tempo também faz parte da experiência.
Por mais simples que seja a atividade a ser realizada — ir à casa de um amigo, organizar uma festa ou fazer uma viagem para outra cidade ou estado —, a cada dia de preparação vamos alimentando nossa imaginação sobre como será aquele momento. De certa forma, começamos a viver antecipadamente pequenas porções daquilo que ainda está por acontecer.
A felicidade está no processo e não apenas no final.

Li certa vez numa parede uma frase:
“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração.”
Nunca mais esqueci essa frase. Mais tarde, pesquisei e descobri que era de Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe.
Entendo que, ao definirmos um plano, cada dia dedicado à sua construção é um dia mais próximo de sua realização. Por isso, celebrar cada minuto, cada hora e cada dia desse caminho também é importante. Isso nos alimenta durante a jornada, nos ensina a conviver com a ansiedade da espera e torna cada momento especial, criando lembranças que guardaremos para sempre na memória.
Enfim, é preparar o coração para aquilo que está por vir.
Reflexão
Tenho praticado diariamente o exercício de olhar para trás e ligar os pontos com o que faço hoje. Algo que estudei dez anos atrás pode ser a base conceitual para compreender algo novo hoje, com novos recursos e possibilidades.
Ter passado por essas etapas me proporciona um entendimento maior. Não preciso apenas aceitar o novo, pois consigo compreender de onde aquilo veio e como chegou até aqui.
Somos o resultado das experiências vividas, dos processos pelos quais passamos.
A cada nova experiência, acumulamos conhecimento. Pode ser aprender um novo idioma, tocar um instrumento ou desenvolver uma nova habilidade. Para que esse conhecimento seja realmente adquirido e se torne parte de nossas habilidades, o processo exige tempo, prática e repetição.

Acelerar o processo, usar atalhos, pode nos fazer obter resultados mais rápidos, mas talvez eles não se sustentem, pois faltam bases, faltam raízes.
Podemos melhorar o solo, irrigar, adubar e oferecer dias de sol e chuva na medida certa, mas, para colher os frutos, teremos que respeitar o tempo certo.

Não podemos exigir hoje o fruto daquilo que começamos a plantar ontem.
Algumas coisas podem ser aceleradas; outras precisam criar raízes.
Pergunta
Como colher sem ter plantado?