Artigo 03
Onde a alma encontra paz
14 de agosto de 2026
Experiência
Ao longo da vida corremos atrás de vitórias, que podem ser representadas por um bem conquistado, como uma casa, um carro, ou uma realização pessoal e profissional, como concluir uma formação, construir uma carreira ou alcançar um objetivo.
Essas conquistas podem ser o que nos move, anima e dá sentido à nossa jornada. Mas nada nos preenche mais do que a paz. Poder, ao final do dia, relaxar em paz com a própria consciência.
A paz é fruto daquilo que fazemos no dia a dia. Começa por atos simples, como dizer “bom dia”, e termina com o “boa noite” desejado de coração para uma pessoa que nem conhecemos.
A paz pode ser construída e buscada, basta reconhecer os sinais. Se algo que fazemos nos acalma, nos enche de satisfação, estamos no caminho certo.

Porém, podemos estar no lugar certo, ouvindo a música certa, lendo o livro certo, diante de uma natureza fantástica, e não sentirmos essa paz, pois só sentimos a presença daquilo que já experimentamos. Quem nunca viveu uma paz verdadeira talvez não a reconheça quando estiver perto dela. A paz precisa ser cultivada desde pequeno.
A partir do momento em que conhecemos a paz, ela passa a fazer parte de nós. Torna-se mais uma experiência vivida e sentida.
Quando visitamos um novo lugar, ouvimos uma música ou lemos um capítulo de um livro, podemos reconhecer novamente essa paz e renovar a experiência, reforçando dentro de nós aquilo que aprendemos a identificar como um momento de paz.
A paz não está em um lugar, em uma música ou em um livro. Está naquilo que sentimos nesses momentos.
Reflexão
Em 2005, tive a oportunidade de visitar o Santuário de Fátima, em Portugal, Lourdes, na França, e Assis, na Itália, onde viveu São Francisco de Assis. Já se passaram mais de vinte anos e, quando me lembro desses lugares, o sentimento despertado continua o mesmo.
As mais de 200 fotos que tirei durante essa viagem foram perdidas. A câmera analógica estragou durante o percurso e só descobri o problema quando levei os filmes para revelar.
Os registros se perderam, mas as lembranças permaneceram. Hoje, estão guardadas apenas nas páginas de um diário e na minha memória.
São lugares muito visitados, onde cada pessoa chega carregando consigo suas expectativas e as experiências vividas ao longo da própria caminhada.
Falo por mim: visitar esses santuários me ensinou que o simples pode nos bastar. Senti isso principalmente em Assis, uma cidade no alto de uma montanha, com suas ruas estreitas e construções medievais de pedra.

Nesses lugares, o silêncio parece fazer parte da experiência. A paz está presente nos mínimos detalhes.
Ao me despedir de cada um deles, voltei levando comigo algo que não ocupava espaço na bagagem:
um coração pleno e em paz.
Essa sensação pode ser vivida sem que seja necessário viajar milhares de quilômetros. Pode ser encontrada nos pequenos momentos do dia a dia. Cabe a cada um descobrir aquilo que traz paz, felicidade e sentido à própria vida.

Pergunta
Onde a sua alma encontra paz?